Conectar o Mindset ao Resultado Desejado

Resultados são consequências de uma boa aplicação.
Você não controla os resultados, apenas os almeja e o caminho que você escolhe pode levar você até lá...ou não.
Acreditamos que os resultados nos esforços de aprendizagem, treinamentos e desenvolvimento de pessoas, vem de metodologias consistentes e testadas.
A Kuratore acredita nisso e por isso atua fortemente sobre uma metodologia que se diferencia por conectar o Mindset ao Resultado desejado.
Tudo parte do entendimento, não somente do objetivo, mas do mindset que potencializa tal objetivo e todo processo então se constrói sobre este aspecto. Veja em detalhes nossa metodologia no diagrama a seguir. Estou à inteira disposição para lhe ensinar como utilizá-lo.


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Do Mindset ao Mindflow
Terreno e Semente

"A maior revolução de nossa geração é a descoberta de que os seres humanos, ao modificarem as atitudes internas de sua mente, podem mudar os aspectos exteriores de suas vidas.” - William James.

Muito do mindset diz respeito a fazer o trabalho de casa. Sofremos, como seres humanos um processo de ansiedade imenso. Somos capazes de imaginar o futuro, criar expectativas, ter esperança. Neste processo afetamos nossa relação com o mundo e conosco, com nossas emoções. Queremos muito ver os resultados e perdemos a maravilha escondida no processo. Trata-se sim de ver as flores do caminho, mas claro que isso não acontece na grande maioria das vezes, até porque nem tem flores em muitos caminhos, ou as que têm pedem muita atenção.

A natureza nos ensina muito. Não se trata de ter uma visão naturalista, mas sim uma visão muito prática, já que todos os seres humanos fazem parte da natureza, que como estamos vendo é soberana.

Ela está diante de nós o tempo todo e com ela é possível aprender diversos temas sobre nossa própria vida fazendo paralelos e entendendo os efeitos de algumas leis. Uma delas por exemplo é a lei de ciclos, em que de forma resumida, trata-se daquilo que nasce, cresce e morre e começa tudo de novo. Nosso corpo é regido por ciclos, que estamos desrespeitando cada vez mais, dormindo mal, comendo mal, amando mal. Ou quem sabe estamos criando novosciclos?

Consciente disso, o convite aqui é para que se pense em suas próprias experiências como pessoa e também como profissional de treinamento à luz da relação terreno e semente.

Se observarmos, notaremos que já carregamos muitas sementes, todos nós. Semente para nosso contexto aqui representa tudo aquilo que tem potencial. São os seus conhecimentos, sua experiência, seus sonhos, suas habilidades e diferenciais. Contudo, é possível observar que muitos dos potenciais que já carregamos ainda não estão dando frutos e talvez possam chegar a triste realidade de nunca darem. Contudo, o que acabamos por fazer é buscar mais sementes ou através dos treinamentos entregar mais sementes, mais informações, mais regras, mais técnicas, mais passos, modelos e mais tecnologia. Contudo, estamos jogando sementes em terrenos inférteis, na maioria das vezes. Muitos esforços educacionais não dão frutos, não porque o facilitador é ruim, ou o conteúdo errado, o que também acontece, mas porque o terreno não está bem preparado. Fale com qualquer agricultor e pergunte a ele ou ela se plantariam suas sementes em terreno inadequado a semente que tem em mãos. Creio que nem é necessário perguntar, pois instintivamente sabemos que não vai dar certo, a semente vai morrer no minuto em que for enterrada.

Minha tese aqui com você é que nosso olhar deva estar muito focado no terreno, em sua preparação. Vamos combinar que aqui para nossa analogia, o terreno é tanto o contexto externo a você, que pode ser sua familia, sua empresa, sua comunidade religiosa, mas também você, seu contexto interno, o que aqui vou chamar de modelo mental.

O Excesso e (algumas de) suas implicações.

Uma razão para buscarmos o essencial, na empresa e na vida.

Há alguns anos os militares americanos e mais tarde autores do tema da gestão corporativa notaram alguns aspectos inerentes ao ambiente, tanto de guerra como de mercado. Não que ambos sejam iguais, mas muitas vezes podemos até mesmo enxergar como tal. Basta ouvir a linguagem utilizada nos meios empresariais: “O Mercado é uma batalha” “Vencerá o melhor” “Vamos melhorar nossa estratégia para abater nossa competição” e assim por diante, mesmo sem querer vamos unindo o mundo das guerras com o mundo dos negócios, tanto que Sun Tzu, um mestre da arte da Guerra tornou-se, mesmo sem saber, um mestre ou guru da arte dos negócios, já que seus ensinamentos valem tanto para o campo de batalha, onde balas e bombas voam como no campo do mercado, onde produtos, preços, praças e promoções habitam as estratégias corporativas, cada vez mais sofisticadas, aumentando as letrinhas na sopa. Isso sem dizer que a guerra em si é um negócio, muitas vezes.

Este ambiente, para não fugir ao costume da sopa de letrinhas, também ganhou seu acrônimo que atende pelo nome de VUCA. Estas quatro letrinhas dizem muito. Falam da Volatilidade, da Incerteza, da Complexidade e da Ambiguidade, 4 grandes palavras que refletem um cenário caótico. Contudo, a primeira vez em que surgiu esta visão, na qual as 4 palavras foram casadas, foi na década de 90, no meio militar.

Nós somos seres que por natureza buscamos o padrão. Nosso cérebro precisa fazer sentido das coisas para conseguir operar, caso contrário entramos em parafuso, passamos a ter muita dificuldade para tomar decisões e agir. Caímos na paralisia da análise, em que não conseguimos concluir nada. Por isso, ter uma referência, ou o que passamos a chamar de modelo mental, é de extrema importância para nos ajudar a tomar decisões e agir com assertividade. Desta maneira, o VUCA nos ajuda a encarar de frente o mundo atual.

O autor Bob Johansen sugere um VUCA, que ele chama de positivo, o que nos leva a crer que o outro VUCA é negativo. O VUCA positivo de Bob traz outras 4 grandes palavras: Visão, União, Clareza e Agilidade. Agora pare um momento e pense: O que de fato significam para você estas 8 palavras? Isso mesmo, as 8, tanto do VUCA "negativo" quanto do VUCA positivo.

Perceba que interessante, mesmo havendo uma palavra especifica, podemos ainda cair na diferenciação de seu significado, o que dá margem para fazermos um monte de bobagens. Por isso, é fundamental que tenhamos o interesse pelo significado daquilo que temos a nossa frente. Este interesse, e até mesmo podemos dizer uma habilidade, é essencial para um tema central, a Curadoria.

Uma maneira, de forma mais ampla, de entender o mundo VUCA (ainda na sua versão negativa) é olharmos pela ótica do excesso. Tudo está muito rápido, principalmente por que temos demais daquilo que precisaríamos apenas de menos, e aqui poderíamos até ser ousados em dizer que nosso espectro abrange desde a alimentação à escassez, da riqueza a pobreza, da informação e da conexão. Há mais ricos hoje do que tínhamos antigamente. Não somente pelo maior volume de pessoas no mundo, mas pelo volume de dinheiro nas mãos de uma mesma pessoa. Isso é um excesso, sem dúvida. Na outra ponta a quantidade de miseráveis também é gigantesca. A distância entre a riqueza e a pobreza é em sua natureza um excesso.

A informação está disponível a todos nós de maneira excessiva, temos certamente muito mais do que precisamos para nossa própria evolução, para nosso desenvolvimento pessoal e até mesmo espiritual, para aqueles que consideram este um tema importante (eu considero).

Em muitos centros, onde as maiores empresas estão localizadas e assim a concentração de riqueza, temos outros inúmeros excessos. Excesso de gente pegando o transporte na mesma hora. Excesso de carros na mesma rua. Excesso de anúncios tentando vender alguma coisa que será excesso em sua casa. Excesso de smartphones (que paradoxalmente podem nos deixar mais ignorantes, mas também mais inteligentes se soubermos usar). Excesso de gente pedindo para sobreviver e excesso de gente esbanjando seus próprios excessos.

Então, diante deste contexto, começamos a ouvir sobre a necessidade de mudarmos. Sem dúvida, pois estamos nos afogando naquilo que é excedente, mas mudança é uma certeza que temos, só não sabemos exatamente para onde e às vezes o porquê, mas que a mudança vem ela vem, sem dúvida alguma. Assim, alguns movimentos surgem, como a Sexta-feira casual, o Home Office, os horários flexíveis e assim por diante e quem sabe também isso já está mudando. Tudo na tentativa de amenizar aquilo que está extrapolando o que de fato precisamos. É um movimento em direção ao essencial. Isso é muito importante e na verdade sempre foi, tanto que os textos mais antigos, geralmente os textos religiosos, tratam profundamente deste tema do essencial, o caminho do meio, por exemplo.

Hoje temos mais gente conectada do que antes. Mais pessoas que de alguma forma ou outra se falam, se vêem, mesmo que exclusivamente online. Contudo, um paradoxo: mais conexões virtuais e menos conexões pessoais. Contudo, esta é apenas a primeira constatação. Se olharmos mais de perto, podemos notar que menos contato pessoal, intimo, amigável, abre espaço para contatos virtuais fúteis, superficiais e perigosos. Pessoas que jamais fariam parte de sua rede física acabam entrando na sua rede digital. Se olharmos no contexto dos jovens isso se torna ainda mais explosivo, pois chamemos eles de Milenialls, geração Y, geração Z eles são jovens e como todos os jovens de sempre, eles são do contra, querem mudar o mundo e carregam uma certa agressividade de seus ideais. Porém tudo isso ficou turbinado com a tecnologia e com ela tudo está muito mais rápido, o mundo ficou ainda mais Volátil, Incerto, Complexo e Ambíguo.

Uma vez com este contexto em mente, vamos olhar para o contexto das organizações. Lucro é um motivador central. Sim, pode parecer um tanto quanto fria ou até mesmo bruta esta afirmação, mas este tem sido sempre o motivo que dirige as empresas. Afinal, sem lucros, de forma simples, não há bons negócios. Até mesmo movimentos que levam diferentes denominações, como sustentáveis, sociais, politicamente corretos começam nas empresas desde que façam sentido para o negócio. Isso é relativamente fácil de se notar. Se ao falarmos que nossa marca é “Green" dará mais lucro, mais market share ou que melhora nosso “Branding" então opta-se por se fazer. Contudo, o motivo não necessariamente leva à ação correta. Isso é, muitos podem se dizer sustentáveis, mas de fato não são. Podem ser sustentáveis em suas práticas logísticas, mas não o são em suas práticas humanas. Sem querer fazer disso um debate de visões, quero deixar claro que o motivo central real ainda é o lucro. Porém, podemos dar um salto quase que quântico ao trazermos para a cena o propósito. Este em si, claro que funciona como um motivo, mas ele vai além. O propósito tem uma função transcendente e por isso quero dizer que se trata de um objetivo que vai além do lucro, um motivo que transcende o ganho pelo ganho.

Se voltarmos para o tema do excesso, o lucro pode fazer uma empresa atuar em excessos constantes. Horas de trabalho que vão além do ideal. Margens de lucro que vão acima do necessário dentro da ótica social. Chefes que usam do poder de maneira exacerbada para conseguirem o que desejam, ou o que as empresas fazem com que desejam. Metas que atingem quase que a insanidade. Veja, de maneira alguma o objetivo aqui é termos um ideal de se ganhar menos, produzir menos ou proporcionar menos conforto, ideias, serviços. Mas, sim termos a noção de que os excessos podem ser prejudiciais em longo prazo e no nível individual. Sabe-se que, mesmo em países tidos como desenvolvidos como os USA, a grande maioria das pessoas, se pudessem, trocariam de emprego. Os sonhos de criança foram soterrados pelas exigências de sobrevivência e pelo gosto pelo consumo. Basta notar outros movimentos que buscam o essencial, tais como alimentos orgânicos, empresas que preferem uma atuação local para ter condições de oferecer uma experiência aos seus clientes, que os façam se sentir melhores e importantes. Claro que isso dá mais lucro, mas diferentemente do lucro per se, penso que o propósito as move de forma mais consistente.

Podemos considerar que um mundo VUCA se assemelha ao deserto ou ao mar, onde quase que qualquer direção é possível. Em um contexto destes não nos é útil o mapa. Para conseguirmos caminhar por estes terrenos, temos que ter em mãos uma bússola. A esta dou o nome de Propósito.

A transformação das eras, um nano histórico.

Estamos em meio a uma transformação, cujo nome tem reverberado, principalmente no mundo da inovação: Uma transformação Disruptiva. Trata-se de se quebrar paradigmas e construir novos. Como dito, precisamos, como seres humanos dualistas, de padrões para conseguirmos viver, decidir e agir.

O Autor Christopher Surdak, depois de uma longa pesquisa identificou algumas características importantes desta transformação. Das 4 eras que ele trata em seu livro, cujo nome original em inglês é JERK, olharemos para duas delas, a trindade analógica e a trindade digital.

Essencialmente, a trindade analógica opera com seu centro de poder no capital. Seus três pilares são: Processo (Aplicação), Burocracia (Distribuição) e Regras (Controle).

Já a trindade digital, cujo centro de poder é a informação, tem os seguintes pilares: Rede Social (Aplicação), Mobilidade (Distribuição) e Analytics (Controle).

Note que os pilares da era digital são mais “humanos” que os pilares da era analógica. Mais um paradoxo para entendermos. Com exceção ao Analytics, que é fundamentalmente tecnológico, a rede social e a mobilidade são intrínsecos ao ser humano. Como disse uma vez o Dr. Drauzio Varela em um congresso que participei em 2015, “O Ser Humano é uma máquina de movimento e por isso, estagnar-se é motivo de doença.”

Tudo nos indica que devemos caminhar cada vez mais para o básico, ou seja, para um olhar que considera o humano em sua essência, repleto de tecnologia sim, mas com raízes no essencial.

Foi diante deste contexto e de experiências práticas que surgiu a visão dos 4 elementos da aprendizagem corporativa, pelo menos na minha forma de entender como a educação corporativa deve se comportar.

Um mundo de dispersão.

Mundo VUCA, Trindade Digital, Disrupção. Juntar tudo isso nos dá uma boa percepção do mundo que habitamos e nele há um perigo que corremos o tempo todo. Trata-se do efeito Camara de Eco, em que um grupo de pessoas reverbera suas próprias verdades e impede, como se houvesse criado uma bolha de proteção ou isolamento, de verem o que existe “do lado de fora”. Mesmo em meio a uma avalanche gigantesca de informações, somos sujeitos a viver e selecionar somente aquilo que queremos ver, mesmo que isso reforce visões e hábitos nocivos.

Ao longo da história este efeito aconteceu várias vezes com empresas como Kodak, BlockBuster dentre tantas outras que perderam a “mão do mercado,” pois estavam tão intrincadas em suas bolhas, que não viram o que estava acontecendo no mundo.

Contudo, essa situação hoje é ainda mais alarmante devido à velocidade dos acontecimentos e da evolução da tecnologia e da informação. Os Taxistas que o digam. Não sabemos ao certo se empresas como o UBER, Lifty, AirBnB têm de fato um modelo de negocio sustentável no longo prazo, ou talvez somente o sejam em longo prazo. O fato é que eles puderam, devido a conectividade e tecnologia, enxergar aquilo que os taxistas e os hoteleiros já deveriam ter visto, mas como dito, quem está no meio da situação tem menor probabilidade de ver o que de fato está acontecendo. Por isso a capacidade de reflexão é fundamental.

Vivemos em um mundo onde temos consciência de que muita coisa acontece ao mesmo tempo. Antes da tecnologia e deste mundo VUCA muitas coisas também aconteciam ao mesmo tempo, mas não tínhamos consciência disso. Poderíamos saber que na Asia as pessoas estão indo dormir quando estamos indo trabalhar. Sabíamos que um governo estava radicalizando as coisas, muito tempo depois de já ter radicalizado tudo. A informação era mais lenta e assim não sabíamos em tempo real, não víamos o que estava acontecendo. Contudo, hoje, nossa hiperconectividade nos coloca a par de quase tudo. Acompanhamos um furacão destruindo cidades inteiras na segurança de nossa casa. Acompanhamos pessoas importantes sendo presas antes mesmo da mídia oficial chegar até lá. Estamos conectados como nunca antes. Mas, esse excesso de informação circulante nos causa uma sensação de stress, ansiedade muito grandes. Podemos pensar que temos que dar conta de tudo, mais do que de fato deveríamos. Acabamos nos preocupando com coisas que não dizem respeito a nossa vida. Assim, reagimos de forma maluca, acreditando que somos seres capazes de “multitarefar." Nossos smartphones às vezes parecem mais “smart” do que nós. Clientes, amigos, filhos nos encontram o tempo todo a qualquer hora. Nosso foco foi para o lixo. Por isso o tema do foco é novamente tão forte.

Em um mundo de excessos nos dispersamos demais. Queremos saber de tudo, desde o que nosso cliente, chefe, amigo está fazendo agora, como aquelas pessoas que não nos dizem respeito algum, se conseguiram vencer aquela batalha pela vida, se conseguiram o novo emprego, se ganharam na loteria. É muita informação irrelevante.

Para o contexto das empresas, a dispersão é ainda mais perigosa. Muitas empresas, famílias e clientes dependem de boas decisões tomadas pelos profissionais que estão nas organizações. Sabemos que para tomar decisão em um mundo absolutamente rápido é necessário estar aprendendo o tempo todo, mas aprendendo o que importa de fato. Mais do que isso, os profissionais precisam de um tempo para refletir. Mas, como falar de tempo para refletir quando tanta coisa está acontecendo ao mesmo tempo e sabemos disso, olhamos para isso, ouvimos sobre isso o tempo todo?

No meio desta avalanche de informações acabamos por negligenciar as informações realmente importantes. Um simples email que recebemos, se estiver um pouco longo, já não lemos por inteiro, ou quando o fazemos é de forma distraída, já que estamos ao mesmo tempo pensando em outra tarefa que requer nossa atenção no próximo minuto, seja uma reunião, uma mensagem que acabou de pular na tela do celular ou outro email que acabou de chegar de alguém mais interessante. Resultado disso, as pessoas tomam decisões que não deveriam e já saberiam que não poderiam tomar aquela decisão se tivessem lido o email inteiro. Desde agendamento de reuniões em datas que a outra pessoa já disse que não poderia, até decisões sobre viagens e programas porque a informação, que estava a um clique de distância não foi vista, pois havia milhares de outras coisas na cabeça daquela pessoa.

Devemos agir sobre o momento presente, por isso temos que entender que momento é este e de que forma o essencial se encaixa. Mais do que isso, na verdade, como o essencial nos permite navegar neste mundo de hoje ao invés deste nos levar ao naufrágio. Não se trata de uma visão apocalíptica, e sim de uma constatação. Diante do excesso, o naufrágio é garantido para aqueles que se deixam levar pelo mar de dados a que estamos expostos. Isso ainda mais no contexto da educação corporativa, onde meta e resultados aumentam a pressão. Se antes estávamos sujeitos aos currículos determinados pelas instituições, hoje estamos sujeitos ao seu extremo oposto, a um volume absurdo de informações desestruturadas e aleatórias.

Um dos efeitos desta avalanche é a sensação de atraso constante. O "Tudo sei que nada sei" nunca fez tanto sentido. Porém, este não é o problema, a encrenca está em aceitar que não se sabe e assim ficar, como que um barco a deriva em alto mar. Ou pior, achar que já se sabe tudo e não se permitir aprender. Talvez esta até seja uma reação inconsciente para não ter que lidar com este mar de dados.

Um mundo volátil, incerto, complexo e ambíguo mexe com qualquer ser humano, mesmo com aqueles que ainda não se deram conta. Em essência estamos mergulhados nos excessos.

Não precisamos ir longe para ver isso, seja no campo da riqueza ou da pobreza, seja no campo das ofertas de fórmulas mirabolantes para se ter sucesso, seja no volume absurdo de informações. Este balaio causa os 4 pilares VUCA, pois tudo está muito rápido, informações que não se tinha há poucos minutos surgem mudando nosso dia. Isso acontecia em tempos remotos, mas demorava meses ou até anos. Como há muita coisa acontecendo ao mesmo tempo e temos acesso a tudo isso (ou uma pequena parte, mas que já é enorme), o que era importante ontem não é mais hoje, ou daqui alguns minutos. Quem sabe o que escrevo agora já tenha ficado velho. Este excesso faz tudo mais complexo. Não que a informação não seja boa, mas não temos a capacidade de processar tudo, então a sensação de complexidade perante a realidade se instaura. Decidir ficou mais difícil, o que pode soar paradoxal, mas se temos muitas opções acabamos por não conseguir delimitar um campo de definição saudável.

É neste contexto que entra a curadoria. Perceba que curioso, curadoria remete a cuidar. Isso é o que temos que fazer, cuidar de nós mesmos e daqueles que estão sob nossa tutela. Somos Michelangelos da educação, temos que esculpir aquilo que será entregue aos nossos “aprendedores". Por essência, esculpir é tirar o excesso e para isso, deve-se ver a obra pronta antes mesmo de se começar. Uma vez visto, mãos a obra, tire o excedente da frente.

Um dos aspectos que dificulta nossa navegação pelo mundo dos excessos é a necessidade que temos, como seres humanos, de encontrar padrões. Diante de um volume enorme de informações e opções temos muita dificuldade de achar tal padrão e quando o fazemos, acabamos por generalizar as coisas. Tudo fica cor pastel ou no máximo alcança cinqüenta tons de cinza e sem nenhuma sensualidade ou sex appeal. Tudo fica pálido.

A palidez na educação é sombrio. Quando isso é notado, começa uma busca pelo diferente, mas como tenho ouvido em diversas reuniões, não se sabe exatamente o que é o diferente que se busca. Talvez, o diferente seja justamente encontrar o essencial. É transformar o B2B clássico do Business to Business no Back to Basics, De Volta ao Básico. Isso não significa abrir mão da tecnologia, de forma alguma, mas saber usá-la.

Respeitando nossa necessidade por padrões, minha sugestão é termos em mente um modelo de ação que seja amplo o suficiente para contemplarmos todos os aspectos da educação, e simples o suficiente para lembrarmos de todos os pilares essenciais.

Os 4 elementos da educação corporativa para resultados sustentáveis prima pelo essencial. Começa pela sua origem, na natureza: Ar, Terra, Água e Fogo.

Estes quatro elementos trazem, no meu entender, os pilares que nos ajudarão a compor uma experiência de aprendizagem memorável. O uso de memorável aqui é cirúrgico, pois a memória é um aspecto fundamental para a aprendizagem, bem como a experiência. Em meio aos excessos, nossa memória fica mais fraca e muito dela transferimos para os aparelhos eletrônicos. Boa parte pode mesmo ser transferido, afinal informação ocupa espaço, porém o conhecimento não, sendo assim, incorporar aquilo que é essencial é, na falta de uma melhor palavra, essencial.
Estado de Presença.

Quando a visão da relação Terreno x Semente surgiu, o primeiro movimento foi traduzi-lo em um programam prático.
Foi uma noite em 2016 que esta percepção ganhou uma forma, pelo menos no que tange a sua ideia. Enquanto pegava uma pizza, com o fone de ouvido em ação, falava longamente com o Vitor Rodrigues, amigo de jornada com quem partilhava a ideia de um programa para a formação de lideres, que tinha como principio o Estado de Presença, ou seja a capacidade, em poucas palavras, de estar no aqui e agora de forma a colher os melhores frutos disponíveis e cultivados. Anselm Grün em sua obra “Administração Espiritual do Tempo” traz esta visão ao explicar o sentido correto de Carpe Diem. Quando ouvimos isso por aqui em solo brasileiro, sua tradução mais comum é “Aproveite o Dia”, o que pode dar a impressão de uma vida desregrada cheias de prazeres e irresponsável. Contudo, como afirma Grün, o significado desta breve frase é “Colha o dia” o que certamente traz implicações práticas muito diferentes do que geralmente entendemos pela famosa frase em Latim. Colher implica em conhecer o fruto, saber se está ou não maduro. Significa que está ao nosso alcance e nos é certo tirá-lo de seu galho. Mais ainda, esta percepção sutil sobre as nuances da realidade implica não somente no colher, mas no colher na hora certa, pois se o fizermos antes da hora o fruto não poderá ser saboreado e se o fizermos depois do ponto de maturidade, o fruto apodrecerá.

Como você deve ter notado, a relação com a natureza me é bastante cara. Penso que como ela está disponível o tempo todo a qualquer um, pode ser um quadro de aprendizado constante, desde que tenhamos olhos e vontade para isso.

A ideia do programa então era essencialmente traduzir a vida da liderança naquilo que de mais essencial poderia ter, que em meu entendimento à época era ter a capacidade de se colocar em estado de presença.
O Vitor topou desenvolver este programa comigo e então partimos para sua elaboração. Como você sabe, o caminho se faz ao caminharmos e com ele vamos aprendendo, adaptando, corrigindo, cortado e acrescentando. Juntos criamos um tripé que entendemos daria o suporte para este programa e chamamos de CEI - Contexto + Estado de Presença + Identidade. A ideia era reunir aspectos o quão mais práticos possíveis que fizesse sentido para a aplicação de uma liderança, para a qual ainda não tínhamos um nome definido.

O Contexto diz respeito ao nosso entorno, desde o micro, como sua casa, ao macro, o mundo, que hoje está mais como uma aldeia, como previsto há décadas pela escola de Frankfurt, uma aldeia global.

Entender o contexto, as regras do jogo externas a nós como indivíduos é essencial, pois tais regras são as condições que regem nossa vida como um todo. Não se trata apenas das leis, mas de todas as condições que determinam os movimentos macro. Um destes movimentos claro e explicito é a tecnologia. Você já parou para pensar nos impactos que a presença de um carro autônomo em nossas ruas pode causar? Se você não precisar mais tirar sua licença para dirigir, como ficam as auto-escolas? Se o volume de acidentes de trânsito cair absurdamente devido a “Maior prudência” da máquina ao volante, como ficam os seguros de automóveis. Até mesmo a indústria dos estacionamentos. Hoje, nas grandes cidades, on milhões de carros circulam diariamente e com necessidade de estacionar, é comum, por exemplo nas grandes capitais, como São Paulo e Rio de Janeiro, termos preços abusivos. Chegamos a um restaurante e deixamos nosso carro na mão de um motorista que irá parar nosso carro na rua e nos cobra em torno de 25 reais, isso se não for um evento como jogo ou show, que chegam a preços ridículos como 90 reais. Com o carro autônomo, você pára em frente ao restaurante, dá um comando para seu carro que irá, sozinho, procurar uma vaga, nem que ela esteja a um ou mais Quilômetros de você. Quando for sair, você, pelo GPS em seu smartphone saberá onde está seu carro e quanto tempo vai demorar para chegar até você.

E quanto toda a cadeia de valor vinculada a estas empresas? Como reagirão? Ou será que agirão de forma proativa?

Mas, qual a relação do Estado de Presença com este cenário? Não perceber o que está acontecendo é também resultado da incapacidade de observar. A arrogância muitas vezes faz este papel de cegar, principalmente quando se está indo bem. O tumulto do dia a dia, a péssima gestão no tempo (e aqui é “no" tempo e não “do" tempo, pois o que gerimos são as tarefas e não o tempo em si, este é fixo, nós que transitamos dentro dele) e nosso modo fazer, fazer, fazer. Não se trata de um convite a contemplação, embora seria ideal se você conseguisse uma brecha em suas tarefas para fazer isso, e sim um convite a estar atento de forma ativa e não apenas reativa. As mudanças que afetam dramaticamente nossas estruturas de regras não acontecem da noite para o dia. São frutos de um processo geralmente mais lento, e percebê-los é uma tarefa de leitura de sinais. Quase que como um detetive, que nota detalhes que os olhos desatentos não notam.

Mais adiante há um exercício chamado Os 7 Niveis da palavra. Você verá que o construi para desdobrar significados. Mas, enquanto escrevo estas linhas, me ocorreu o seguinte: que tal utilizar este mesmo exercício para tentar desdobrar possíveis efeitos em seu mercado de trabalho, em sua casa, em seu contexto pessoal e profissional? Coloquei a sugestão de como fazê-lo logo abaixo do exercicio, espero que seja relevante para você.

A identidade no tripé diz respeito às sua regras internas. Entendo que identidade tem um nível de profundidade e significado bastante grande, mas para nosso tema aqui, vamos nos ater às suas regras internas, essencialmente os seu valores. A profundidade podemos deixar para uma análise nas mãos de um terapeuta competente.

Um outro exercício sugerido aqui é a Escala de Valores, que tem por objetivo lhe ajudar a ganhar consciência sobre os valores que você carrega, e que neste momento são mais proeminentes. O Contexto pode e muitas vezes deve alterar sua escala de valores. Não e trata, necessariamente a mudança de um valor pelo seu oposto, o que geralmente é bem dificil. Mas sim um exercício de analise. S sugestão aqui é que você possa ter clareza de seus valores e sobre eles se perguntar? “Os valores que tenho hoje a maneira como estão escalados, me dão potência de agir?” Isso é, os valores que tenho me fazem mais forte para lidar com o contexto externo que estou enfrentando?

Imagine que para você um valor muito forte é a inovação ou ainda o cuidado supremo como a qualidade do serviço que você presta. Contudo, pode ser que por conta deste valor, você esteja demorando demais para conseguir dar conta de todas as entregas que estão em suas mãos. A pergunta é “O Contexto em que estou exige este nível de qualidade, de preciosismo ou pede maior agilidade com um nível mais brando de qualidade?” Talvez o que surja de sua analise sobre este tema é o valor Simplicidade, que está longe de significar simploriedade. A diferença essencial entre ambos é que aquele que faz as coisas de forma simples, entendeu muito bem a complexidade de um sistema e por entendê-lo tão bem, sabe executar sem se perder, sem criar mais problemas no processo. Ser simples é entender as regras e ser simplório é seguir regras de olhos fechados. Enquanto escrevo este livro minha empresa está lidando com uma situação que pode exemplificar isso muito bem. Para duas empresas distintas, ambas gigantescas, com milhares de funcionários emitimos suas respectivas notas fiscais. Durante a emissão ocorreu um erro no sistema eletrônico, e um dos impostos destacados foi com o valor errado. Minha contadora emitiu um comunicado para as duas empresas, avisando que a retenção deveria acontecer pelo que a lei exige e não elo que erroneamente constava na nota, o que poderia ser corrigido com uma carta correção. Uma das empresas, respondeu o email dizendo que havia notado o erro e internamente já haviam feito a correção. A outro no entanto, não teve a mesma atitude, resolveu seguir as regras de forma cega e simplesmente nos pediu para cancelar a nota. A regra interna é tão forte, que a pessoa do fiscal, diferente da pessoa da outra empresa, nem se quer notou que aquela nota não poderia ser cancelada, pois o mês já havia virado. Consequência desta atitude cega, o que acabou em meu entender virando uma desculpa para atrasar o pagamento em duas semanas, foi então pedir a carta correção e somente depois disso tomar uma atitude corretiva internamente. Entendo que seu sendo aquele que sofreu nas mãos desta empresa, estou enviesado por ter sido afetado negativamente, mas como eu tive a outra empresa que optou por ser simples e não simplório, penso que posso fazer este julgamento, pois tenho em mãos um referencial comparativo.

Por isso entramos então no pilar central deste tripé, o estado de presença. Este tem sido um objeto de estudo há muito tempo, mais de 8 anos. Confesso que exige diligência e muita prática, mas pode ser libertador. Tive, ao longo dos estudos sobre o tema a oportunidade de estar em um seminário com Eckhart Tolle, líder espiritual autor do best seller, “O Poder do Agora.” Lembro de sua fala inicial, “Se você tentar entender o Estado de Presença pela razão estará imediatamente limitado e não conseguirá atingir o nível de compreensão necessário para colocar esta atitude em prática” O que é então o Estado de Presença? Se olharmos pelo viés mundano, corporativo, prático, executivo, e por isso de certa forma limitado, trata-se da capacidade de observar atentamente o que é. A parte difícil deste processo é o julgamento. Fomos construídos, como seres humanos para rotular tudo que vemos a nossa frente e isso é, no dia a dia, necessário, para para que tenhamos chance de tomar decisões. Imediatamente quando olhamos algo damos a isso um significado e com base neste significado tomamos nossas decisões. Se vemos uma pessoa, em uma rua escura, com capuz e cabeça baixa e mãos no bolso do agasalho, imediatamente podemos atribuir um significado de perigo a esta cena. Com base neste significado decidimos entrar em uma loja, atravessar a rua ou em alguns casos congelar onde estamos, tamanho o medo. Sei que este exemplo pode ser óbvio ou drástico em certos termos, mas você certamente pode entender isso de forma mais ampla. Pense na atitude de seu chefe. Se ele ou ela chega ao escritório pela primeira vez de cara fechada e embora tenha dado bom dia, talvez você pense que se trata de uma pessoa sisuda e de difícil trato. Pode ser que em sua historia pessoal já tenha lidado com pessoas assim e então este padrão aparece em sua mente e você toma uma decisão, toma uma postura defensiva e talvez decida não se abrir, não conversar ou até mesmo tomar muito cuidado com o que fala. Com o tempo você percebe que a pessoa tem a cara fechada mesmo, mas é uma doçura e atenta (o) ao que você falar, mostrando muito interesse pelas suas ideias. Este novo contexto muda sua atitude. Vamos nos adaptando de acordo com o que percebemos no meio em que estamos, mas se não formos atentos o suficiente para notar estas diferenças, continuaremos agindo em desacordo, ou seja não seremos capazes de colher o dia, de colocar em prática o verdadeiro Carpe Diem.

Um consultor que admiro muito é Karim Khoury, que tem como especialidade o tema do Mindfulness, que pela sua natureza está diretamente ligado ao estado de presença. Tive a honra de sua presença em minha palestra no CBTD de 2017. Lá eu falava do tema deste livro e para minha surpresa, ele me deu de presente um lembrete, citando Antoine de Saint-Exupéry na fala de o Pequeno Principe “O essencial é invisível aos olhos” Então posso concluir que o melhor caminho para chegar nele é o Estado de Presença.

Aqui trago um pouco da minha visão, digamos espiritualizada, deste tema, outra forma de olhar este assunto. Independente de sua crença religiosa, podemos concordar que se você crê em algo maior, algo que podemos chamar de divino, este algo está além de nossa mente, de nossa razão, pois por esta poderíamos experimentar a divindade somente pela ciência, o que sabemos não é tarefa fácil. A ideia é que por melhor e mais potente que nosso cérebro seja ele na verdade cria situações ou ilusões, que bem se retrata em uma fala atribuída a Albert Einstein “A Realidade é uma ilusão, muito persistente, mas ainda uma ilusão.” Este é o caminho comum que usamos para transitar em nossas vidas. Ir além desta ilusão, exige uma capacidade de perceber coisas que não estão ao alcance de nossa mente pensante, bem na linha do que Tolle disse ao principio de seu seminário, alegando que experimentar o estado de presença em sua essência, não será possível pelo mente racional.

Mas o que isso tem a ver como este livro, com sua vida profissional afinal de contas?

Penso que que tudo, mas fique a vontade para discordar de mim. O meu argumento aqui é o seguinte: Somos seres inteiros, isso significa que não tiramos o “Chip" familia, vida pessoal, angústias etc quando chegamos na empresa e colocamos no lugar um “Chip" Trabalho. Estamos e somos permeados por todas as experiências que vivemos. Esta parte do livro é dedicada a sua pessoa, a sua inteireza, a sua integridade. Se você tentar fazer isso, bipartidar, tripartir, quadripartir sua vida você estará totalmente fracionado e nestas brechas criadas pelas frações que você tenta impor à sua existência darão margem para que entre mais angústia, mais medo, mais desespero e mais infelicidade.

Sejamos honestos, será que você intencionalmente faz tudo para ser infeliz? Há esforço para acordar todos os dias de manhã e falar “Hoje eu serei a pessoa mais infeliz do mundo e nada vai me impedir!” Por mais depressivo que alguém possa estar, intencionalmente e conscientemente não creio que esta pessoa queira estar infeliz. Talvez, os terapeutas que me corrijam por favor, se alguém pensar assim, certamente não está em uma ilha deserta. Explico, creio que se alguém age desta forma é para ganhar a atenção de outra pessoa, ganhar um significado de vida, um alento para sua existência. Mesmo assim haveria uma intenção positiva no sentido de ter algo que faça sentido e nutra uma razão para viver.

Victor Frankl, sobrevivente do holocausto e criador da logoterapia, tem uma abordagem interessante. Aqueles que sobrevivem a algo tenso e profundo como um campo de concentração são aqueles que têm um sonho a conquistar, uma razão profunda para viver. Caso contrário como aconteceu com vários colegas de campo, são levados a morte. Para isso não é necessário estar em um campo de concentração, basta experimentar a própria vida como tal.

Encontre na escala de valores aquilo que de mais importante está presente agora em sua vida e com ela sustente o seu sonho. Não quero ser hedonista e sim realista. Se você faz o que faz para alcançar o sonho de outra pessoa sem que o seu esteja no caminho, qual o sentido de sua existência?

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Tiago Petreca
Diretor e Curador Chefe da Kuratore Autor de “O Mindflow do Futuro” (link para o artigo do LinkedIn: https://www.linkedin.com/pulse/o-mindflow-do-futuro-tiago-cardoso-petreca/)