Você está incomodado com a reforma trabalhista?
Certamente muitos estão.
Como em qualquer caso, toda e qualquer opinião, inclusive a minha, tem o viés individual, sendo a visão pessoal ou unilateral apenas uma parcela do contexto como um todo e não a verdade absoluta, que já na minha opinião não existe.

Mas, uma verdade é construída ao unir diferentes pontos de vista.
  Ao meu ver, alguns pontos que geram o conflito de interesses permeiam o medo, o desconforto, a expectativa de um futuro pior do que o presente e acima de tudo a sensação de injustiça.
Ao ver a movimentação de muitas pessoas e de sindicatos alguns destes pontos acima me vêm a mente.

  Sempre pensei, por exemplo, que aquele que deseja ser uma figura pública, que deseja fazer a gestão daquilo que é dos outros e também seu, já que o politico é também um cidadão, deveria partir de um propósito pessoal que tem como valor mais elevado, o próximo.
Parece idealista, utópico, mas para mim faz todo sentido. Mas, também os políticos almejam algo privado, algo para si mesmos e não para a maioria.
Pensar no outro, no coletivo de forma absolutamente desapegada é uma raridade sem tamanho.

Não é no poder público que se ganha mais dinheiro legalmente e sim nas empresas privadas, e ganharíamos muito mais dinheiro na vida privada se os impostos não fossem tão gigantescos, para sustentar o ego politico e uma cultura individualista.
Existe uma luta de forças sim, em que aparentemente o empregado é o lado mais frágil.

Contudo, torna-se frágil aquele que não conhece, aquele que não tem propósito, aquele que somente deseja para si mesmo e aquele que não se une.
Os empregadores são necessariamente justos e pensam nos outros? Claro que não, se o contexto permitir que o mais forte, seja por ter mais dinheiro, influencia ou conhecimento, exerça sua força para seu próprio bem assim ele o fará, seja empresa, pessoal ou sindicato. Isso vale para todo mundo, a não ser para aqueles que de fato trazem em seu propósito de vida o desejo de fazer o mundo melhor. Mas convenhamos, estas pessoas formam um grupo bem pequeno, pelo menos até onde sei. O Sistema é muito forte, é muito grande e entremeado em tantos níveis que somente para começar a descrevê-lo páginas e páginas seriam necessárias, e talvez nem assim seria possível relatar tudo.  O meu objetivo aqui é muito mais simples.

Se a reforma é boa ou ruim de fato é difícil saber, pois controlamos (e somente em parte) aquilo que fazemos no momento presente. Os efeitos do que fazemos não controlamos, suas ramificações são imprevisíveis.
Mas tendemos a imaginar tais desdobramentos com base na dor que achamos que iremos sentir, com base no pressuposto do que poderemos perder e principalmente, no contexto do quanto iremos sofrer. Olhamos para o nosso futuro somente com a experiência do passado e esse não necessariamente conseguirá determinar o que está por vir, ainda mais no mundo incerto em que estamos. Quer equilíbrio de forças? Estude mais, interesse-se por politica, por finanças, por gestão (empresarial ou familiar), queira saber o que acontece no todo, não somente na sua sala. Não é por acaso que o Brasil tem uma taxa de analfabetos funcionais enorme e ainda uma cultura que não valoriza a leitura, o estudo, o aprender para crescer, mas somente o aprender para ter um certificado. Em um contexto desses qualquer reforma, qualquer proposta de mudança, que aparentemente tire direitos, faça sofrer ou tire o leitinho fácil da boca de bebes fanfarrões e egoístas fará tremer as bases da vida coletiva e individual. Enquanto não soubermos nosso propósito de vida, aquele que vai além de nós mesmos e tudo que nos ocorre é o conforto de uma aposentadoria e fazer o mínimo necessário para garantir um salário, estaremos vivendo em um modelo mental medíocre.  Ter prazer no viver é fundamental, mas o viver de forma linda e prazerosa vai muito mais além do descanso, que é importante, além do futebol e da cervejinha.
Tange um mundo, talvez utópico, do reconhecer que o sorriso da criança faminta é tão importante quanto o sorriso do teu próprio filho.

Que o andar despreocupado pelas ruas é mais importante que grades e carros blindados, que o dar a mão a pessoa amada é mais importante que encher seus dedos de diamantes. Mas, acima de tudo, encontrar prazer no aprender constantemente, no conviver e trocar com os outros o que aprendemos será o caminho, da reforma mais profunda possivel, a reforma, constante, de nós mesmos.