Talvez isso ressoe com você, ou não!
Mas, vivemos diversos ciclos em nossas vidas. Diariamente, semanalmente, mensalmente ou quem sabe um ciclo de uma vida toda!  Os aprendizados, que tive com o Peter Levine, PhD e que aos poucos estou partilhando com você, também tratam de ciclos. Mais especificamente de ciclos incompletos.

  Estudar a Educação Somática, ou Experiência Somática, do corpo, dentro de um contexto de traumas, é uma forma potente de conseguir entender como podemos utilizar essa técnica para ajudar nossos alunos, participantes de treinamentos a melhor entenderem algum tema, literalmente INCORPORAR o aprendizado.
  Um dos aspectos interessantes do cuidado com o trauma, segundo o doutor Levine, é que se trata de um ciclo incompleto.
O ciclo completo é assim: Evento traumático > Reação corporal (geração de uma energia acima da média) > descarga desta energia > significado positivo para o evento.

  Contudo, em um ciclo incompleto, a descarga não acontece gerando então um significado malicioso para o evento.
Aqui estamos falando de eventos, inclusive simples, como alguém que lhe fechou no trânsito e a reação a este fato torna-se redundante em nosso sistema.
Rumina-se o evento ao longo do dia gerando uma carga que, literalmente, se sente nos nervos. Pode ser que até mesmo ao final do dia se tenha esquecido o que passou.
Mas, ao se ruminar o que aconteceu, provável que suas decisões e ações do dia tenham sido afetados por aquele evento e nem se percebeu.
  Por mais que possa parecer que tudo foi embora e a vida segue, aquele evento pode ter criado um “imprint,” uma marca na pessoa. Isso se acumula a outros eventos e mais outros e como uma bola de neve torna a vida um inferno.

  Talvez você se pergunte: Mas somente um evento simples como aquele pode causar tudo isso? Sim! Pois o ciclo está incompleto deixando uma enorme porta aberta para que outros pequenos eventos se acumulem ao longo de sua história.
  Lembro em minha pós graduação, quando a Cindia Bressan, responsável pela matéria de Gestão de Pessoas falava de “Gestalts abertas” ou seja “Formas abertas ou no caso Coisas que não foram fechadas, finalizadas corretamente”.

Agora cruzando esse ensinamento com a perspectiva de Levine fica muito mais claro o efeito danoso.
  Porém a pergunta que fica é “Como fechar” esse ciclo? Voltamos ao aclamado Stephen R Covey, autor do best seller “Os 7 hábitos das pessoas altamente eficazes.” Diz ele que 10% é o evento e 90% como reagimos ao evento. Note que o mesmo evento pode ter diferentes significados para diferentes pessoas. O significado que atribuímos muda nossa reação a ele. Assim, em específico a eventos potencialmente traumatizantes, aqueles em que você sente uma carga grande em seu corpo, para fechar o ciclo, segundo Peter Levine, devemos deixar o corpo “liberar” essa energia. Isso é, na prática, permitir que sua respiração flua por completo, mesmo que intensamente. Permitir que seu corpo libere essa energia, o que esquisitamente pode ser um “tremor” em seus músculos! Perceba que curioso e relativamente simples, estas reações devem fluir, mas o que fazemos? Seguramos, retemos, bloqueamos, por medo de sermos mal interpretados e assim deixamos um ciclo importante, sem se fechar.  Em suma voltamos à importância de nosso modelo mental perante os fatos que nos ocorrem! A forma como nos posicionamos perante a vida. Qual o seu modelo mental? Quais ciclos você ainda não fechou e que deveriam ser fechados?